ALGUNS TENTARAM DIVULGAR A VERDADE E FORAM SILENCIADOS.NÓS CHEGAMOS DISPOSTOS A DENUNCIAR, SEM MEDO,O NEPOTISMO,O TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS, O MERCENARISMO E O TERRORISMO CORRUPTO QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL, EM ESPECIAL A DESPORTIVA, NÃO TEM A CORAGEM DE ASSUMIR.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

("Histórias Com Brazão" A MAFIA DA PALERMO PORTUGUESA (81)


O Sporting Um Clube Realmente Diferente.

O Sporting mergulhou nos últimos anos numa comédia dramática divertida para adversários, desesperante para os seus adeptos. Vale a pena perdermos um pouco de tempo a olhar para eles.

O Sporting nos últimos 29 anos venceu por duas vezes o campeonato nacional. Repito, duas vezes. Vamos então dividir este tempo em duas fases. Uma entre 1982 e 2000 e outra de 2002 a 2011.

1982 - 2000
Nos primeiros 18 anos de jejum conheci um Sporting cujo maior orgulho era dizer ao mundo que eram um clube diferente. Ainda hoje o dizem, podem já estar a pensar. Pois dizem mas agora dizem por dizer, nem sabem bem o que isso quer dizer. Mas eu sei.
O grande problema que os meus amigos e conhecidos sportinguistas têm comigo é que eu apesar de sempre assumir que o meu rival é o Sporting e que é neles que concentro a minha ironia também conheço bem a sua história. Posso até dizer que a minha memória tem muitos mais dados e imagens do Sporting que a maior parte dos lagartos que eu conheço. Isto tem uma explicação muito simples. É que eu ainda vivi a época romântica do nosso futebol. Eu passei a minha infância e adolescência na Luz. Mas também passei uma boa parte em Alvalade. Ia com a mesma certeza apoiar o Benfica à luz como ia com a mesma vontade agoirar o rival no seu próprio estádio com amigos vizinhos verdes.

Era o tempo de chegar à porta do estádio e usar as palavras mágicas que nos punham lá dentro: "Senhor, posso fingir que sou seu filho e entrar consigo". Simples, sem torniquetes nem revistas nem seguranças. Umas palavras mágicas e o jogo era nosso.
Curiosamente não tive muitas alegrias nos anos 80 em Alvalade. Poucas vezes os vi a perder no campeonato e quando perdiam até era o clássico que nos dava jeito que ganhassem. Nas saudosas noites europeias às 4ªs feiras vi ali jogar algumas das boas equipas da Europa como o Ajax, Feyenoord, o Sevilha, o Barcelona, Inter, Nápoles, Real Madrid ou Real Sociedad e outros. Sempre com casa cheia, sempre com os lagartos orgulhosos da sua equipa.
Era aqui que residia o segredo do serem diferentes, nada ganhavam mas os adeptos enchiam o estádio sempre com a equipa mantendo sempre a fé. Curiosamente, nesta década das poucas vezes que lá fui sem ser com o SLB raramente ganharam um jogo!

2002 - 2011
Depois vieram os quase 10 anos de jejum que ainda vivem após dois títulos ocasionais. Esta fase não tem nada a ver com a dos anos 80 e 90. Entraram numa indefinição total. Chegaram ao ponto de se contentarem com 2ºs lugares submissos a um clube corrupto que os usou como quis e precisou perante a apatia verde geral. A bem ou a mal desviaram jogadores como Moutinho ou Varela, ganharam os clássicos que precisaram e chegaram a convencer o Sporting a entrar numa estratégia letal com objectivo de acabar de vez com o Benfica no reinado de Roquete como já foi contado recentemente.

A modernização do Sporting tem sido triste e feia. Mudaram para um estádio com cadeiras às cores, com um fosso estúpido entre bancadas e relvado que a maior parte do tempo está num estado lamentável. Tornaram Alvalade num atabalhoado campo de futebol ignorando assim aquela imagem de marca que era a pista de atletismo que conseguia dar mais elan ao estádio que todos estes novos azulejos do Taveira. Tiveram como golo inaugural um pontapé do Luís Filipe o que espelha bem esta nova era. Esqueceram-se de construir um pavilhão que juntasse as modalidades ditas amadores que sempre foram tão queridas dos associados. Acabaram aos poucos com a vida que havia naquele recinto. E a tudo isto os sportinguistas reagiram com entusiasmo justificando tudo com a dedicação ao clube e demorando quase uma década a perceber que têm de acabar com aquele fosso, têm que pintar a sua casa com as suas cores e que precisam mesmo de um pavilhão que devolva algum sentimento de ecletismo que pessoas como o Prof. Moniz Pereira mereciam que nunca tivesse sido tirado dali.

Nesta nova era, 2002 - 2011, as derrotas caseiras passaram a ser muito mais comuns do que nos outros 18 anos, as grandes noites europeias também se contam pelos dedos das mãos, o ambiente de estádio cheio é uma miragem convertida numa média de 20 mil pessoas nas bancadas. Até as claques se multiplicaram por divergências e transformaram-se numa espécie de braço armado das últimas direcções com Salema Garção e agora Paulo Cristovão em destaque.
Raramente vencem um derby na Luz ou em casa ou em campo neutro. Depois dos tais 2ºs lugares tão festejados foram deixados para trás pelos corruptos que viram no Braga uma parceria muito mais importante e nos últimos anos os sportinguistas passaram a ver o Sporting minhoto a lutar mais pelo título do que eles e até a igualar uma presença numa final europeia! Deixaram de poder lutar pelo título e têm actualmente como grande objectivo recuperarem a posição terciária ameaçada por outsiders.

Tiveram presidentes anedóticos que em situação de aperto se atiravam sempre ao Benfica para agradar às massas, receberam na sua casa homens cujas maiores qualidades eram ser... anti benfiquistas, como Costinha, viram o seu futebol caír na lama e puseram todas as esperanças numas eleições já este ano.
O que seria um momento de viragem no Sporting tornou-se apenas e só em mais um brutal episódio de comédia dramática com uma noite pré histórica, usando palavras tão em voga por aqueles lados, com trafulhices denunciadas, pancadaria, sacos de votos enigmáticos e o anúncio de um vencedor que embaraçava a nação sportinguista como se pôde ler e ouvir nas horas imediatas. Como se não bastasse terem um Presidente indesejado passaram a ter um treinador que transporta toda a herança corrupta de anos e anos ligados ao Porto. Um homem que sempre foi odiado em Alvalade passava a ser a maior esperança. E com tudo isto a própria identidade leonina vai desaparecendo. Já estão por tudo para voltarem a ganhar, tudo vale.
Onde estão os tempos de serem realmente diferentes? Enterrados no século passado. Já foram.

Nova Direcção Entra a Matar
Mas esta Direcção entrou mesmo determinada em mudar o ciclo e realmente preparou muito bem o novo look do leão para a nova temporada. Fez um trabalho soberbo ao nível da conversão dos descontentes em vozes de concordância. Felizmente tenho amigos e conhecidos que não perdoam nada daquela noite eleitoral e naturalmente afastaram-se da vida do clube passando apenas a acompanhar os 90' de cada jogo e mais nada. Mas foram muitos os que embarcaram nestes novos tempos de Alvalade. Alguns que eu até tomava por serem genuinamente "diferentes".

O mérito desta direcção explica-se muito rapidamente. Percebeu o erro que os responsaveis anteriores estavam a cometer com os desprezados bloggers e inverteram a situação. Chamaram-nos para dentro do clube oferecendo alguns mimos que os fizeram sentir, finalmente, importantes. Têm uma pessoa a acompanhar os principais blogs verdes que os alimenta com informações previligiadas, reuniões nas instalações do clube e trocas de sms que podem até resultar em campanhas concertadas. Poucos foram os bloggers que resistiram a este canto da sereia. Isto fez com que a opinião bloguista mudasse passando tudo a falar praticamente a uma só voz. Umas criticas ali outras aqui mas no essencial sempre todos juntos mesmo quando nem percebem bem porquê, tudo em nome de uma forte união que os vai levar de volta aos títulos.
Perde-se o sentido critico, toldam-se os pensamentos e incentiva-se os adeptos a episódios graves como este dos incêndios.

Os Novos Soundbytes
Como nas grandes campanhas políticas o Sporting também optou por dar aos seus seguidores umas frases fortes ou como se costuma dizer uns soundbytes. Este ano começou por ser O Sporting está de Volta. Não correu muito bem porque na apresentação levaram 3 em casa e depois a volta do Sporting foi não ganhar ao Olhanense, ao Beira Mar oa NordsNãoseiquê e perder com o Marítimo em casa. A frase tornou-se gozo para os rivais. Agora apareceu uma muita mais acertada: Isto é o Sporting. Bem exibida na bancada da polémica na Luz. Os adeptos mostraram a frase anunciando o que aí vinha. O resultado foi esclarecedor.
Como depois do péssimo arranque de época a equipa entrou numa senda de vitórias o universo verde passou num instantinho da profunda depressão à euforia desmedida que só tinha olhos para o tal derby. E aqui começaram os problemas.
Há mais de um mês dizia-me um amigo ao almoço que tinha ouvido da boca de um jogador do Sporting que na paragem por causa do jogo da Selecção a estrutura do clube já passava a mensagem ao plantel que o jogo da Luz tinha de ser para ganhar. Estranhei porque faltava imenso tempo mas depois percebi que a obcessão era tão real que elevaram aquilo a jogo do ano.

O actual problema do Sporting nem é só a fraca figura do Presidente Godinho, homem honrado mais conhecido pelo julgamento por corrupção do caso "paquetes da expo". A tropa que ele reuniu à sua volta é que levou o Sporting rapidamente aos patamares dos Guerreiros do Minho na senda dos amigos corruptos. Além do regresso dos outrora escorraçados Duque e Freitas há uma figura de peso (literal) neste novo Sporting, Paulo Pereira Cristovão que já tinha tentado chegar à presidência do clube e que viu agora uma porta aberta para realizar o seu sonho de colocar em prática todo o seu doentio anti benfiquismo primário já testemunhado até por alguns amigos sportinguistas.

A rábula da Jaula
Portanto, numa época em que no Dragão acabaram com as bolas de golf e todo aquele vandalismo ao autocarro da equipa, às casas do Benfica, deixaram de levar galinhas para o campo, voltaram a exibir a bandeira do nosso clube no estádio, percebendo que todos esses pormenores só os diminuiam, os amigos do Sporting resolvem passar ao ataque.
O pretexto foi então uma decisão do Benfica em passar a instalar os adeptos visitantes numa bancada superior devidamente delimitada e guardada. A opção foi clara e explicada muitas semanas antes. Já esta época adeptos do Manchester United e Basileia ( e Bósnia ) ficaram nas bancadas superiores sem qualquer drama nem incidente.

O Sporting usou a imprensa que tem mais à mão para iniciar uma mega campanha de vitimização agarrando num pormenor comparativo ao que se faz lá fora. Estádios que têm essa zona para visitantes e a que normalmente se chama de "The Cage". A caixa. Ou numa tradução mais conveniente; A JAULA. E é a partir deste nome, divulgado pelos media, note-se bem, que começam as teorias da afronta, da provocação, do afrontamento. O Benfica muito pacientemente insistiu na explicação que era uma bancada normal e delimitada, nada de especial. Até que entram em campo os cãezinhos de caça como Eduardo Barroso a levaram ao extremo a irritação dos adeptos leoninos cada vez mais escaldados com a indignação dos seus dirigentes.

O Benfica tenta resolver a questão com um convite a responsáveis do Sporting para visitarem o recinto antes do jogo. Estes aceitam e juntamente com representantes da Liga e da PSP aprovam as condições e nenhuma critica têm a fazer. Pessoalmente nada tiveram a apontar. Escondidos nos seus gabinetes , numa atitude hipócrita, continuavam a regar com gasolina uma fogueira que só eles ateavam.
Entre a Figueira da Foz e o derby o Benfica teve um compromisso realmente importante e por isso nunca entrou , felizmente, no circo verde. Não emitiu comunicados, não fez apelos, apenas mostrou a responsáveis rivais que não havia motivo nenhum para tanto barulho.
Pessoalmente fiz o mesmo. Aproveitei o jogo contra a Bósnia na Luz, convidei um bom amigo verde que também é blogger e mostrei-lhe ao vivo e a cores que não havia motivos para tanto drama. Ele concordou!

Para espanto geral a polémica não parava. Venho de Manchester encantado com a jornada europeia chego a Lisboa ávido de notícias sobre a Champions e só encontro o tema Jaula. Os dirigentes leoninos vão com os adeptos e recusam o tradicional almoço com o Benfica! Pensei que realmente está tudo doido e que já estavam mesmo a esticar a corda toda.
Parecem um puto de 18 anos a puxar de tabaco e álcool para se afirmar perante os mais velhos. Não faz sentido.
Claro está que a ida à Luz ia ser uma palhaçada e tudo ia ser potenciado em nome de um drama forçado.
Demoraram muito tempo a entrar? Saíram atrasados de Alvalade com a PSP? Sentiram-se apertados na multidão? Desesperaram nas revistas à entrada? Os lugares eram apertados? A visão era má?

Oh pá, santa paciência!! Mas foi a primeira vez que foram à bola na condição de visitados? Sabem há quantos anos é que eu passo por isso em mais de metade dos jogos fora da Luz que eu vou ver do Benfica, incluindo Alvalade? Tudo isto que andam a relatar acontece há anos e anos em todo o lado em que há jogos chamados de alto risco. Brincamos ? Até o facto do cortejo sair atrasado de Alvalade é culpa do Benfica? Tenham juízo. Aliás, quem vos viu e ouviu nos primeiros 40 minutos de jogo no estádio pode testemunhar que não se sentiu nenhum desconforto no vosso sector tal era a alegria com que cantavam e aplaudiam o vosso clube. Desconfio é que o Javi tornou a vossa latrina irrespirável...

Perderam o Jogo Mas Ganharam um ... Cristovão
O Sporting optou por esta via, a do confronto, liderados pela ceguês do Cristovão. O Benfica finalmente reagiu no dia do jogo mostrando 40 e tal bilhetes devolvidos que para eles eram só 12 e depois já eram fait divers e reagiu bem contra toda esta palhaçada que acabou com um fogo inédito num recinto desportivo que parece não incomodar ninguém porque foi uma reacçãoválida não se sabe bem a quê.

Quando se esperava que o Sporting acabasse com o circo após terem ultrapassado todos os limites com os seus adeptos a cometer crime de fogo posto a Direcção resolve dar o passo em frente rumo ao abismo e insiste em endeusar a figura do Cristovão. Entra numa guerra de comunicados de onde saem claramente goleados e acabam a ameaçar divulgar imagens ilegalmente gravadas no nosso espaço que comprometem o nosso Presidente. O Benfica sorri e pede já essas imagens no ar. O Sporting atrapalha-se e percebe que nem uma TV própria tem para as mostrar e então vai entregar na Liga. Eu confesso que gostava de as ver já porque adoro ver Vieira a gesticular recorrendo ao calão em grande estilo. Já vi o nosso Presidente assim noutras situações e tem piada. Mostrem!

Com isto tudo ninguém fala do jogo e o Sporting assume-se como grande opositor ao Benfica em termos de bastidores. Mas também aqui não conseguem a liderança, estão a anos luz do Porto e até do Braguinha que se devem estar a rir desta tentativa de mostrar ao país um Sporting índio.

Quando me criticam aqui por eu eleger o Sporting como meu rival em vez de outro clube qualquer e de ser o responsável por algumas expressões como LOL de Portugal (que me dizem ter nascido neste texto de Janeiro de 2010 ) eu respondo sempre que escolho o rival que quiser. Cresci a discutir com eles, tenho amigos de infância que são verdes e (para quem não sabe) tenho um pai que é do Sporting.
Por isto tudo apesar de todo o gozo que me dá ironizar com o LOL de Portugal eu sei o que é o Sporting. Eu sei o que é que eles queriam dizer com a cena do diferentes e por isso estou à vontade para falar sobre eles.

Cortem-se as Relações!
Sei que Vieira tem feito um enorme esforço para manter uma relação saudável com o Sporting convivendo sempre bem com os últimos presidentes leoninos. Mas quando a estrutura deles tem um incendiário anti benfiquista disfarçado de dirigente chega a altura de cortar toda e qualquer relação com aquela gente. Chega!

Escolheram este caminho, conseguiram mais do que nunca a tal união entre adeptos, sócios e bloggers, mesmo daqueles que odiavam Domingos e se sentiram enganados pela vitória de Godinho. É deixá-los seguir o seu caminho.
Esquecem-se que só há 2 ou 3 derbys por ano e que essa chama depois apaga-se assim que caírem perante outra equipa qualquer. Estamos cá para ver o que dá este novo look guerreiro mas para já digo-vos com muita convicção: eu sei o que é o Sporting e Isto NÃO é O Sporting.
(Fantástico Post retirado do blogue RedPass)

Entrevista MARINHO NEVES
P: O grande sucesso Golpe de Estádio é um romance ou uma comédia? O que pretendia com a publicação desse livro, gozar ou informar?

MN: Naquela altura era necessário dizer a verdade e não havia outra forma de o fazer. Penso que consegui estabelecer um diálogo com o leitor, espevitando-lhes a curiosidade. Mas, não conheço nenhum romance que não seja baseado em histórias reais.

P: Muitos dizem que esse livro ditou a sua reforma antecipada dos principais meios de comunicação. Mas custou-lhe algo mais, como perseguições, tentativas de envenenamento ou até mesmo de assassinato. Sabe os nomes e os motivos de quem orquestrou esses actos?

MN: Fui de facto perseguido, muito perseguido, ameaçado e continuo a ser. Mas, não é verdade que tenha sido a minha reforma antecipada. Depois da publicação do livro trabalhei no programa da SIC "Os Donos da Bola" e em vários jornais, não obstante me terem tentado boicotar todos os trabalhos que iam aparecendo. Não o conseguiram porque Portugal não se resume à cidade do Porto, e Lisboa nunca me fechou as portas. Cheguei a estar contratado para o jornal "A Bola" e no dia em que devia entrar inverteram a situação. Foi caso único na capital.

P: Qual foi o restaurante onde o drogaram? Para que os nossos leitores saibam antes de lá ir comer.

MN: Foi exactamente no mesmo restaurante onde já foram apanhados alguns árbitros portugueses e estrangeiros que foram cear com dirigentes (“Marisqueira de Matosinhos”). Uma vez, vinha a sair desse restaurante em Matosinhos e à saída tinha dois jagunços à minha espera. Só não me aconteceu nada porque ia muito bem acompanhado.

P: Na sua intervenção no Prós & Contras sobre corrupção no futebol, pareceu bastante incomodado com a maneira jocosa com que Valentim Loureiro se apresentou. O que lhe passou pela cabeça quando o viu a “berrar” que ia ser absolvido porque nunca fez falcatrua no futebol?

MN: Quando fui a esse programa foi-me prometido que teria linha aberta para dizer o que quisesse. Mas, quando me estava a maquilhar, o Valentim Loureiro estava ao meu lado e mostrou-se incomodado com a minha presença. Quando me sentei, senti de imediato que nunca me dariam a oportunidade de dizer o que sabia, não obstante o presidente do Sporting, Dias da Cunha, ter dito nesse programa que tudo o que aprendeu no futebol foi comigo. Depois… foi uma comédia.

P: Você tem alguma coisa a ver com o Polvo dos Papalvos, com o Blog da Bola ou com o Tripulha das escutas?

MN: Com "O polvo dos papalvos e "Tripulha das escutas" não. Nem sequer conheço. Já o Blog da Bola, foi com grande emoção que me vi obrigado a encerrar, tantos eram os processos judiciais, todos arquivados porque apresentei provas do que dizia. Mas não
deixei de gastar fortunas em advogados e despesas judiciais. Em toda a minha carreira jornalística tive 35 processos judiciais, todos arquivados antes de julgamento com a excepção de um, em que fui absolvido.

P: O que faria se lhe dessem a presidência de um dos clubes mais mediáticos de modo a "limpar" o futebol em Portugal?

MN: Mesmo como presidente de um clube podia fazer muito pouco. Primeiro tinha de conquistar a simpatia e a confiança da maior parte dos clubes e só juntos podíamos normalizar o actual sistema. Pinto da Costa demorou 10 anos a montar a máquina enquanto os clubes da capital se degladiavam.

P: Que previsão faz para o Futebol Clube do Porto e para o futebol nacional, quando Pinto da Costa abandonar o cargo no clube?

MN: Esse vai ser o grande problema dos portistas. Quando Pinto da Costa acabar, o clube também acaba.

P: É do foro público que o Marinho trabalhou para o Sporting contra o “sistema”. Quem foi a primeira pessoa a iniciar essa luta contra o “sistema” no futebol Português?

MN: Quando Dias da Cunha foi eleito presidente do Sporting, depressa se apercebeu da falcatrua que era o nosso futebol. Não sabia para que lado se havia de virar. Fui então contactado pelo seu assessor, Carlos Severino, para ver que disponibilidade tinha para trabalhar directamente com o presidente com a função de o alertar dos perigos que o clube corria. Inicialmente não me mostrei muito interessado, mas por outro lado pensei que poderia lutar por dentro e combater a corrupção, até porque a Polícia Judiciária já me tinha como consultor e não me pagava nada. Aceitei, mediante um bom vencimento e com a condição, por mim proposta, de que se não gostassem do meu trabalho despedia-me sem qualquer tipo de indemnização. Fiquei por lá seis anos, mas no meu segundo ano fomos campeões nacionais, principalmente porque o Sporting sabia com 15 dias de antecedência as armadilhas que lhes estavam a preparar. Um exemplo: 15 dias antes avisei o presidente que no jogo X que antecipava um jogo com o Porto, o árbitro da partida seria fulano e que Beto e Rui Jorge iriam ser espicaçados por esse árbitro durante o encontro para este encontrar motivos para os expulsar. No dia do jogo confirmou-se a minha informação. Num outro caso, num jogo decisivo para a conquista do campeonato, frente ao Boavista, soube que o árbitro da partida tinha ido almoçar com Valentim Loureiro, que era presidente da Liga. Avisei o presidente e todos ficaram em pânico. Não sabiam o que fazer porque não havia provas. Disse-lhes que a única coisa a fazer era Manolo Vidal, antes do jogo, quando fosse entregar as fichas aos árbitros, deveria dizer: "Então o almoço de terça-feira foi bom?" Mais nada. Quando o árbitro ouviu aquela pergunta associou de imediato a intenção do delegado ao jogo e ficou em pânico, contou-me depois Manolo Vidal. Durante esse jogo o árbitro até beneficiou o Sporting e fomos campeões. O árbitro não sabia que provas tínhamos e como era internacional, não colocou a sua carreira em risco. Mas a conquista do campeonato desencadeou uma série de invejas dentro do próprio clube e quando dei por ela estava a lutar contra gente que estava a ser paga pelo clube, mas que queria que este perdesse para conquistarem o poder e poderem fazer os seus negócios. Cheguei mesmo ao ponto de saber que os meus relatórios semanais eram entregues, por gente do Sporting, aos nosso principais inimigos, Porto e Boavista. Não sou nem nunca fui sportinguista e nunca escondi isso. Era apenas o meu trabalho.

P: As acções do Sporting nessa luta contra o “sistema” tinham qual objectivo? E as do Benfica? Os lutos pela arbitragem, levar DVD’s ao ministro ou qualquer outro tipo de protesto surtem mesmo algum efeito? Amedrontam o “sistema”?

MN: A primeira coisa que fiz, foi convencer Dias da Cunha de que devia fazer uma aliança com o Benfica se queriam conquistar o poder. Sempre disse que o inimigo do Sporting não era o Benfica, mas o Porto e o Boavista da altura. Consegui. Dias da Cunha fez uma aliança com Luís Filipe Vieira e foi à televisão dizer que as cabeças do sistema eram Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Forneci documentos que provavam isso mesmoO Porto e o Boavista começaram a sentir-se ameaçados e começaram a
minar o Sporting por dentro utilizando alguns elementos que hoje continuam no clube. Dias da Cunha não aguentou a pressão e demitiu-se. Pedi a demissão com ele.

P: E crê que Benfica e Sporting alguma vez vão lutar em igualdade de circunstâncias com o Porto nos bastidores do futebol nacional? Essa união entre os dois clubes poderia purificar o nosso futebol ou acha que cada qual, à vez, preferem aproveitar o que podem do velho “sistema” que se encontra ainda, residualmente, instalado para próprio benefício?

MN: Para se ganhar e encontrar defesas para os mais diversos ataques, é necessário ter poder. Disse isso muitas vezes a Dias da Cunha. Primeiro tinham de conquistar poder na AF de Lisboa, como fizeram os Dragões na sua cidade. Depois encontrar aliados nas Associações mais poderosas para se chegar ao poder na FPF, mais propriamente na disciplina e arbitragem. Não para fazer o mesmo, mas para fiscalizar e enfraquecer o poder de manobra do seu mais directo opositorÉ necessário que os árbitros sintam que estão sob vigilância permanente. Houve casos em que grandes árbitros eram promovidos e mostravam qualidade, mas se não se adaptavam ao sistema, eram despromovidos. Muitos queriam ser honestos, mas o sistema não lhes permitia tal atitude. Os mais vigaristas eram sempre os primeiros a ser promovidos. Para travar tudo isto era necessário ter poder e Benfica e Sporting não tinham um único dirigente na FPF ou na Liga para fiscalizarem a situação ou impor a sua vontade. Vejam o exemplo desta época: O Porto está zangado com o Sporting e Benfica e a época deles tem sido um desastre, imaginem o que seria se Sporting e Benfica fossem aliados. Tem sido assim ao longos dos 20 anos e os clubes de Lisboa não aprendem. Pinto da Costa é um mestre na acção de dividir para reinar.
P: Falou nos árbitros. É possível, a um qualquer árbitro, chegar a internacional sem essa tal “bênção” do “sistema”?

MN: Nem pensar. O próprio Vitor Pereira sabe que só está naquele lugar porque tem uma grande flexibilidade de coluna. Quando não for assim acontece-lhe como aos outros. É despedido ou criam-lhe situações que o obriguem a demitir-se.

P: O que aconteceu a quem lutou contra isso? Que outras protagonistas do Futebol, para além do Marinho, foram afastadas da ribalta do futebol?

MN: Infelizmente não há muitos mais. Lembram-se do árbitro José Leirós? Denunciou uma tentativa de corrupção por parte do Braga. Nesse dia era pré-internacional e a quem todos apontavam como internacional, mas no final da época, acabou por ser despromovido para a 2ª categoria e depois desistiu. Mas houve muitos mais, mesmo em termos de comunicação social. No programa "Donos da Bola" da SIC, tínhamos 52% de share, ou seja, o programa mais visto desta estação e de um dia para o outro acabaram com ele. Nós estávamos sempre à frente da polícia. A PJ tinha um plantão a ver o programa e com base nas nossas informações fazia buscas à segunda-feira. Nesse tempo o futebol tremeu, mas quem caiu fomos nós.

P: Sabemos que se tem dedicado a outras artes, com bastante sucesso até. Pensa ainda voltar a exercer a sua profissão, após ter sido um dos primeiros jornalistas de investigação desportiva ou será que esta nova geração de directores nas publicações continuam a não ter “tomates” para contrariar o poder?

MN: Para mim o jornalismo acabou, mas acabou porque eu quis. Os novos jornais não querem gente com coragem e integra. Querem moços de recados. Serviçais do poder. É como disse Sócrates: "Não me preocupo com jornalistas. Prefiro controlar os seus patrões." Hoje já não é uma questão de tomates, mas sim de atitude. Se tens tomates não tens onde escrever. Eu mesmo tenho o Golpe de Estádio 2 já escrito há mais de 6 meses e quando se soube disso desapertaram-me as rodas do meu jeep. Também sei que a maior parte das editoras estão controladas, assim como livrarias, vejam o que aconteceu ao livro do Octávio. Alguém falou disso??? Quase passou despercebido. É assim que o poder joga.
P: Por fim, gostaria de deixar alguma mensagem aos milhares de leitores "anónimos" que este e outros blogs de futebol congregam que repudiam a maior parte dos jornalistas pela falta de isenção inerente?

MN: Entendam melhor os jornalistas. Conheço muitos que gostariam de mostrar coragem, mas ela morre logo na marcação dos serviços.

sábado, 1 de dezembro de 2012

(O Sarrabulho das Contas) A MÁFIA DA PALERMO PORTUGUESA (80)




Ainda as Contas dos Andrades
        (Em Blogue Portista)

I -  Os Balanços e a Situação Patrimonial

Partindo de uma análise aos Balanços Consolidados verificamos que em todos os seis anos 2005/06-2011/12 a FC Porto, SAD se encontra numa situação financeira complicada, uma vez que os seus capitais estáveis são insuficientes para financiar o Activo Fixo (o Fundo de Maneio é negativo em todos os anos da análise), sendo que uma parte importante do ciclo de investimento está a ser financiada com exigível de curto prazo. A situação agravou-se de forma radical no exercício de 2011-2012 tendo o Fundo de Maneio atingido o valor negativo de 114 milhões EUR. Por isso mesmo é referido no Relatório e Contas que o Conselho de Administração está a estudar “a realização de uma operação financeira para a reestruturação desse passivo, de forma a assentar uma parte significativa da sua dívida no longo prazo”.

Por outro lado, no que respeita ao ciclo operacional da sociedade, as Necessidades de Fundo de Maneio, que apresentavam montantes positivos bastante elevados (o que significa, grosso modo, que a sociedade pagava cedo aos fornecedores e recebia mais tarde dos seus clientes) até 2009-2010, apresentam agora uma variação muito significativa. Ou seja, face às crescentes necessidades de liquidez a sociedade fez um esforço e conseguiu cobrar valores em atraso, o que mesmo assim não foi suficiente para sustentar o ciclo de exploração, pelo que teve de recorrer a financiamento alheio, nomeadamente a empréstimos bancários de curto prazo.

Endividamento Líquido mais do que duplicou em 6 exercícios, passando de 50 M€ em 2006/07 para 105 M€ em 2011/12, representando um crescimento anualizado de 16%. O rácio Endividamento Líquido/EBITDA (Net Debt/EBITDA) é usado para medir a capacidade das empresas para pagar a sua Dívida Bancária. O rácio mostra quantos anos são necessários para liquidar toda a Dívida (ceteris paribus). Este indicador oscilou entre 2 e 3 de 2006/07 a 2010/11 e disparou para quase 9 anos em 2011/12. A deterioração da situação patrimonial da SAD no último exercício também pode ser verificada pela evolução dos indicadores Liquidez Geral e Autonomia Financeira.

Da relação entre o Fundo de Maneio (ciclo de investimento) e as Necessidades de Fundo de Maneio (ciclo operacional) surge a Tesouraria líquida. Pelo desequilíbrio estrutural dos Balanços Consolidados da FC Porto SAD, este indicador foi negativo nos últimos anos. E, na prática, a manutenção de uma Tesouraria líquida negativa durante um espaço temporal alargado acentua o desequilíbrio e o risco de ruptura financeira. A FC Porto SAD, diante deste cenário, apresenta uma forte dependência das fontes de financiamento.

A continuação da actividade continua fortemente dependente de capitais alheios (sejam empréstimos bancários de curto prazo, de longo prazo ou empréstimos obrigacionistas) e das transacções de jogadores por valores muito elevados, o que não será, de todo, uma situação desejável.

As Demonstrações de Resultados e a Exploração 2006-2012.
Nos dois últimos anos o Volume de Negócios fixa-se acima dos 70 M€. Esta deveria ser a fasquia mínima a ambicionar para este indicador para que, no futuro, a sociedade não dependa em demasia do negócio da venda dos jogadores.

Os negócios de compra e venda de passes de jogadores representam uma receita adicional para a sociedade e um factor decisivo para a obtenção de resultados positivos de 2006/07 a 2010/11. Os proveitos operacionais da SAD apresentam, grosso modo, uma repartição 70/30 para os exercícios 2006/07, 2010/11 e 2011/12 e uma repartição 60/40 para os exercícios 2007/08, 2008/09 e 2009/10, conforme dados do gráfico abaixo. Ou seja, os proveitos obtidos com Bilheteira, Provas UEFA, Publicidade, Direitos televisivos e Corporate Hospitality continuam a representar 60% a 70% do total de proveitos operacionais enquanto o negócio dos passes de jogadores representa 30% a 40% do total nos últimos 6 exercícios.

Os Fornecimentos e Serviços Externos FSE) cresceram a uma taxa média anual de 17% desde 2006/07 (de 16 para 35 milhões de euros), tendo aumentado 13% no último ano. Cresceram mais do que qualquer outra das grandes rubricas da Demonstração de Resultados. Há que notar, neste caso particular, que em 2011 o FC Porto Clube criou uma empresa denominada FC Porto Serviços Partilhados (que não faz parte do perímetro de consolidação de contas da SAD) para onde foram transferidos os colaboradores associados aos serviços administrativos, empresa que debita esses serviços à SAD. Ou seja, há um trade-off entre FSE’s e Gastos com Pessoal. Parte dos custos que estavam registados em Gastos com Pessoal passam agora a estar registados em FSE’s (via débitos realizados pela Serviços Partilhados).

Face ao peso crescente dos FSE’s e dos Gastos com Pessoal na Exploração, o negócio dos passes dos jogadores tornou-se fulcral para a actividade da SAD. A soma das rubricas FSE e Gastos com Pessoal (as mais importantes na estrutura de custos) ultrapassou o Volume de Negócios em 2007/08, e desde essa altura o diferencial tem sido crescente até 2011/12, representando neste ano um gap de cerca de 13 milhões de euros.

O Volume de Negócios cresceu a uma taxa média anual de 6% de 2006/07 a 2011/12. É um crescimento considerável contudo insuficiente para a cobertura dos custos estruturais. Aquilo que a sociedade aufere com Merchandising, Bilheteira, Provas UEFA, Publicidade, Direitos televisivos e Corporate Hospitality não está adequado ao que gasta em FSE’s e Pessoal. Para acautelar o futuro próximo deve reduzir (consideravelmente) custos ou, em alternativa, potenciar a obtenção de proveitos. Isto consegue-se, acima de tudo, com um salto qualitativo da performance desportiva (ora aumentando o valor de mercado dos passes dos jogadores ora melhorando a assistência no Estádio e a audiência na TV), como se viu no ano de André Villas-Boas.

O indicador EBITDA (resultado operacional antes amortizações, juros e impostos) vinha a apresentar montantes consistentes e, em média, acima dos 30 milhões de euros. Esse montante anual, que permitiu à sociedade capacidade de autofinanciamento, caiu a pique no exercício 2011/12 para apenas 12 milhões de euros como consequência dos factores referidos nos parágrafos anteriores. A margem operacional, que se vinha mantendo consistentemente em torno dos 35%, caiu para 12% em 2011/12.

Os gastos financeiros apresentaram um forte crescimento no último exercício (49%, de 7 para 11 milhões de euros) em consequência da estrutura de elevado endividamento que compõe o capital da sociedade. Como aqui já foi oportunamente referido, a crescente dependência da banca é, per si, um factor de maior risco.
(O recente empréstimo obrigacionista que irá substituir o antigo, irá aumentar os custos financeiros em 1M€/ano, de 1M€ (18M€ a 6%) para 2M€/ano (25M€ a 8,25%).

Os Resultados Líquidos, apesar de pouco expressivos nos exercícios 2009/10 e 2011/12, foram positivos, mas já se notava um crescimento nos custos de exploração (superior ao crescimento dos proveitos) que ameaçava os Resultados. Em 2011/12 estes apresentaram uma queda colossal. A SAD terá de inverter esta tendência em 2012/13 para tentar aproximar os Capitais Próprios da linha de água. Têm sido aventadas de forma sistemática nos Relatórios e Contas dos últimos anos as hipóteses de redução do Capital Social e/ou de realização de entradas pelos accionistas mas até agora nenhuma delas chegou a acontecer. Outros clubes, no passado e em situações análogas, transferiram activos valiosos (no caso do Sporting, a Academia foi transferida para a SAD) para as suas Sociedades Anónimas Desportivas para resolver o problema dos Capitais Próprios negativos.

Basta por exemplo ler a pág 97, 1º paragrafo do último R&C da Sad referente ás receitas dos direitos de transmição de TV... já foram todos caucionados até 2018... ou seja; quem vier esqueça os proveitos da olivedesportos até...repito 2018.
Por seu turno, o saldo registado na rubrica “Outros passivos correntes e não correntes” em 30 de Junho de 2012 corresponde, essencialmente, ao adiantamento recebido pela Sociedade da referida entidade relativamente aos direitos acima referidos aplicáveis à época 2012/13 e 2013/14, assim como a facturação antecipada à mesma entidade relativa a direitos de transmissões televisivas para as épocas 2014/15 a 2017/18 (Nota 21)

*Confirmo as informações do caro Franco Baresi e acrescento que foi por essa mesma razão que houve constantes atrasos em satisfazer outros compromissos como os pagamentos de Defour e Mangala. É verdade que os atrasos de pagamento por parte do Atlético Madrid por Falcao, tb contribuiram, mas tudo porque a tesouraria há muito que anda á pele.
Passo acrescentar que esse problema de tesouraria em conjunto com outros deram origem a determinados problemas disciplinares e de rendimento por parte de determinados elementos do plantel da equipa profissional; principalmente quando chegam jovens sem estatuto pagos a preço de Ouro e que custaram não só Milhões pela sua contratação como em comissões.

Os Fornecimentos e Serviços Externos (FSE)
Uma enorme parte dos custos da FCP SAD reside na rubrica menos compreendida pelos adeptos, nomeadamente os FSE (Fornecimentos e Serviços Externos).  

No entanto é importante entender isto porque hoje em dia gastamos basicamente tanto em FSE (36 M€/ano, resultados consolidados) como em custos com jogadores & treinadores (salários e bónus de todos os jogadores e treinadores sob contrato, num total de 38 M€ em 11/12), o que me parece um franco exagero.

Em geral não me parece de todo que a «máquina» do FCP seja hoje muitíssimo mais profissional do que era há 10 anos atrás, quando estes custos eram 3x mais baixos (11M em 02/03),  e já descontando os custos de Corporate Hospitality (explico mais adiante porquê). Mas antes de mais nada, explicações do que se fala ao certo...

Basicamente e de uma forma simples, esta rubrica consiste em despesas correntes da «máquina administrativa» pagas a outrém (i.e. a empresas, pessoas e entidades fora da SAD). Inclui no entanto custos extremamente variados (de viagens a serviços de consultadoria, passando por rendas ao FCP clube), muito deles com pouca ou nenhuma informação pública, sendo em alguns pontos específicos uma espécie de «caixa negra».

Uma clarificação à partida é que as comissões na compra e venda de passes não entram em FSE, mas sim em «operações com passes».  Por exemplo, se se pagar 10 de comissão na compra do jogador X, esse valor vai ser incluído na amortização do seu passe (rubrica totalmente distinta de FSE). No entanto, outro tipo de comissões já entram em FSE, incluindo por exemplo eventuais comissões relacionadas com «serviços de prospeção de mercado» (e com  um bocadinho de imaginação pode-se decidir colocar algumas comissões aqui ou nos passes, sendo a fronteira bastante fluida).

Os FSE têm vindo a subir imenso ao longo dos anos. De assinalar no entanto que grande parte dessa subida explica-se por mudanças na contabilização de algumas despesas; mas outra parte considerável... nem por isso.

Só a partir da época 08/09 é que a SAD passou a apresentar um breakdown dos FSE, sendo por isso quase impossível fazer comparações com épocas anteriores (quando os FSE eram apenas 1/3 do que são hoje). Apresento de seguida uma tabela comparativa entre 11/12 e 08/09, com o disclaimer que é impossível que seja 100% apples-to-apples porque mesmo nos últimos 3 anos houve alguns tratamentos diferentes para algumas despesas; fiz algumas adaptações de forma a poder comparar melhor, mas mesmo assim é imperfeito.

Mas antes disso, algumas clarificações importantes:

1)«Corporate Hospitality»: custos relacionados com a exploração comercial do estádio para empresas (camarotes e outros lugares).

2)Trabalhos especializados
inclui custos com serviços de prospeção de mercado, serviços de consultadoria jurídica & financeira, e de auditoria. Inclui também (e apenas a partir de 11/12) alguns dos custos com deslocações e estadas e despesas de organização.  Concluindo: uma sarrabulhada de vários tipos de despesas com serviços prestados por estranhos ao grupo SAD. O R&C nao dá mais detalhes do que isto ou qualquer breakdown.
(E PUTAS, digo eu!)

3) «Subcontratos»: consiste principalmente em pagamentos ao FCP clube pela utilização do centro de treinos, mas também outros custos não explicitados.

4) «Outros fornecimentos e serviços»: a SAD não diz nem adianta nenhuma descrição do que está aqui incluído.

A maior diferença temporal no tratamento reside nos custos de Corporate Hospitality. Anteriormente a SAD registava nas contas apenas o lucro liquído da operação, nos proveitos; agora registra tanto os custos como os proveitos (os proveitos de 10M nesta rubrica são portanto a outra face da moeda dos 8M de custos). Por isso mesmo incluo na tabela um subtotal para FSE excluindo estes custos, de forma a fazer uma comparação justa.

Esta mudança contabilística permite inflacionar os proveitos Operacionais em cerca de 8 M€ (!!).

E contribui para que a Administração da SAD afirme o seguinte:
«A Sociedade continua dentro do valor recomendado pela UEFA (70%) para o rácio Salários vs. Proveitos Operacionais, excluindo resultados com passes de jogadores».
(De uma penada com a mudanca de contabilidade de Corporate Hospitality, o racio "salários/proveitos operacionais" desceu uma % considerável, porque o denominador aumentou artificialmente.).

Para além disso, «rendas e alugueres» subiram imenso aparentemente devido a uma mudança contablística/operativa (anteriormente era a Porto Estádio que cobrava as rendas internas, agora é o FCP clube). Porque se mudou isso, não faço ideia.

Passo agora às minhas considerações pessoais:
No que diz respeito a Corporate Hospitality, nunca entendi nem entendo porque é que é preciso gastar muitos milhões (8M). À partida eu esperava que esta rubrica fosse uma autêntica «cash cow» com custos muito baixos associados à gestão dos camarotes e outros espaços para as empresas (champanhe, uns canapés & tal J), estando o espaço disponível. Será que as senhoras que servem as bebidas e canapés são modelos topo de gama com um cachet a la Giselle Bundchen?

Comentários de outros portistas:

“Para além do champanhe, canapés, leitão, etc., penso que também estarão incluídos os custos com outras mordomias a que os detentores de camarotes têm direito. Por exemplo, bilhetes e viagens de avião nas deslocações ao estrangeiro”.
“Quanto custará uma viagem ida e volta para duas pessoas até ás ilhas Caimão?”

“E ontem ficou a saber-se que, a acrescentar aos prejuízos da SAD temos mais 10 milhões do FCClube”.

2) Verifico com agrado que se conseguiu em 3 anos diminuir um pouco custos associados com honorários, conservação e renovação, vigilância e segurança, e material desportivo. No entanto essa diminuição não passa de «amendoins» no cômputo geral, em que as subidas foram muito mais consideráveis.

3) Custa-me um pouco entender que se gaste imensos milhões em honorários e serviços vários de consultadoria(espalhados por várias rubricas), quando 1) esta área era quase inexistente há uma década atrás e 2) quando a actividade da SAD é relativamente simples para uma empresa desta dimensão. Aliás, seria de esperar por exemplo que após os anos «Apito Dourado» as despesas com advogados tivessem descido bastante.

4) Apesar de ser uma rubrica relativamente pequena, admira-me que os nossos directores e funcionários precisem de gastar640mil anos em despesas de representação (e quando as despesas com deslocações junto  da equipa já estão naturalmente contabilizadas em outra rubrica). Para colocar em perspectiva: este valor é por exemplo equivalente a umas 500 viagens de avião em classe executiva dentro da Europa.
(Será aqui que estão as putas e demais “prendas” aos árbitros?)

5) Custa-me também entender que faça sentido para o FCP gastar quase 5M€ em publicidade e propaganda, correspondendo a uma % muito significativa das receitas de bilheteira e merchandising. Isto quando a procura da parte dos adeptos é relativamente inelástica (será que a venda de camisolas ou bilhetes aumentou uns 40 ou 50% só por causa da publicidade, de forma a compensar os tais 5M€?), e quando hoje em dia há maneiras bem eficazes e baratas de comunicar com o público-alvo (nomeadamente email, Facebook e outros meios por internet).

6) Constato como curiosidade que a SAD do Braga na época passada gastou 5M€ em FSE. O Braga é um clube de outra dimensão (e há diferenças contabilísticas, como Corporate Hospitality) e portanto difícil ou injusto como base de comparação, mas há várias áreas de FSE em que os custos não deviam ser tão diferentes como isso entre eles e nós (como deslocações e estadias, despesas de representação, alguns serviços de consultadoria e auditoria, electricidade, material desportivo, etc); custa-me portanto a crer que se justifique que os nossos FSE sejam 7x mais elevados do que os deles.

Para concluir: a informação dada pela SAD sobre FSE é muito escassa, continuando esta a ser em boa medida uma espécie de «caixa negra». Por consequência é difícil fazer análises detalhadas e há mais dúvidas do que certezas.

Uma coisa é certa: a haver «sacos azuis» nas SADs, é principalmente aqui, nos FSE, que eles estarão camuflados (seja num FCP seja ou noutra SAD).

(Por isso é que as vitórias são tão importantes, pois só desta forma é que os sócios deixam que aqueles que se aproveitam dos clubes por lá continuem. Quando começam as derrotas é que começa o problema, começam a ser postos em causa e arriscam-se a ter que dar lugar a outro e normalmente o outro que vem a seguir quer ver as contas auditadas e ai pode ser o principio do fim.)

Comentários de portistas
“É um processo longo, complexo e que acabaria com algumas das políticas de favores em que directivos da SAD têm sido tristemente protagonistas, com um certo compadrio com agentes, fundos e personagens externos à realidade do clube”.



É precisamente este parágrafo que me faz recear o futuro do FCP; porque há mais de 30 anos que não conhecemos se não uma realidade do FCP; que é o FC PORTO de PINTO DA COSTA. E como será quando PdaC deixar a presidência; pois o homem não é eterno e não está a andar para novo.

Para mim esta falta de alternativa e de visão para um futuro cada vez mais próximo é já actualmente um problema que mais tarde só tende agrava-se. Que é sequencia da falta desde há décadas de uma oposição mesmo que construtiva ao poder instalado; pois esta teria sido benéfica e obrigaria a haver uma maior transparência da direcção para com os sócios sobre tudo o que se passa no FCP.

Por exemplo na minha opinião já deveria ter sido realizada uma auditoria externa que englobasse todo o UNIVERSO FCP e não só a SAD e o CLUBE de forma independente. 

E já agora; saber quem é que está por detrás da imensidade de empresas e contas bancárias que estão sediadas em paraísos fiscais e que são a maior parte das entidades beneficiadas com as transacções de jogadores para dentro e fora do FC Porto e respectivas comissões? Acho que ajudaria a esclarecer e muito tudo o que escrito por si.


Agora o melhor!!

O fantástico 1º Trimestre de 2012/2013

A venda de Hulk por 40 milhões de euros gerou uma mais-valia de 23,9M€, após a FC Porto SAD reflectir as deduções com a actualização financeira. Ou seja, 16,4M€ que os dragões ainda tinham de amortizar, depois de terem gasto 16,5M€ em Maio de 2011 com a aquisição de 40% do passe do brasileiro. Já a venda de Álvaro Pereira por 10M€ ao Inter de Milão gerou uma mais-valia de 4,55M€.
Atendendo a que Hulk custou na totalidade, incluindo as comissões, cerca de 22M€, o lucro final nem chega a 2M€!

Entre Julho e Setembro, a SAD obteve um lucro de 12,8M€, um resultado alcançado tendo em conta as mais-valias das vendas de Hulk e Álvaro Pereira.
As receitas atingiram os 14,3M€, uma quebra de quase 3M€. Já os custos operacionais atingiram os 21,9M€, uma subida de 800 mil euros. Aqui, destaque para os custos com pessoal, que dispararam para os 11,8M€, um aumento de 2,7M€.
Apesar dessas vendas milionárias (50M€) o passivo diminui apenas pouco mais de 3M€!!

(Isto é, apesar de ter uma mais valia de 28,5M€ (23,9M€+4,55M€) das vendas de jogadores (50M€), tiveram apenas 12,8M€ de proveitos. Sem as vendas teriam um preluizo de… -15,7M€. Isto em apenas 3 meses! Extrapolando para um ano, daria receitas de 57M€ e um resultado negativo de… -63M€. Isto é, um resultado negativo MAIOR do que o total das receitas. Começam a aproximar-se dos resultados do Sporting! Lol!).

Este trimestre sem contar com a venda de jogadores o Porto perdeu quase 8M€ em termos operacionais, porque desceram as receitas de bilheteira (-65%), as de TV (-51%), a Publicidade (-13%), Merchandising (-27%) e aumentaram os custos com pessoal (+29%).
Extrapolando para todo o ano é o equivalente a terem perdido 32M€ de proveitos operacionais! Isso significa metade, repito, quase 50% das receitas orçamentadas sem venda de jogadores!

Estaremos a ver o Sporting 2.0?

O BENFICA FOI INFLEXÍVEL!
“O Benfica foi inflexível. Desde o início que pediu 40 milhões por Witsel e recusou sempre baixar tal verba. Foi por isso que nós não o contratámos e ele foi para o Zenit", disse ontem German Tkachenko, dirigente do Anzhi, ao jornal russo ‘Sport-Express’.

"Witsel valorizou cinco vezes mais desde que chegou ao Benfica [o belga custou 6,5 milhões às águias em 2011]. Não foi possível comprá-lo mais barato. Todos os clubes sabiam disso, nós, Real Madrid, Manchester City e Zenit. As pessoas do Benfica sabem negociar. Anunciaram o preço e mantiveram-se muito firmes", acrescentou.
O dirigente do clube russo também garantiu que o Anzhi esteve interessado em Hulk. "O FC Porto começou por pedir 85 milhões de euros e sei que nas negociações com o Zenit foi baixando até aos 40 milhões", observou.
Witsel, de 23 anos, ganha uma verba na ordem dos 3 milhões de euros/ano e Hulk (26), entre 6 e 8 milhões, montantes que causaram mal-estar no balneário do Zenit, ao ponto de alguns jogadores, como Kerzhakov e Denisov, terem sido relegados para a equipa B do Zenit.

Witsel e Hulk
Ontem foi a vez de o dirigente de um dos adversários do emblema de São Petersburgo, o Anzhi Makhachkala, dar a sua visão do processo. German Tkachenko fez questão de diferenciar o comportamento dos clubes vendedores.

«Se Witsel valorizou cinco vezes mais desde que chegou ao Benfica? Sim, pois não foi possível comprar mais barato. Todos os clubes sabiam disso: Real Madrid, Manchester City e Zenit. As pessoas do Benfica sabem negociar. Anunciaram o preço e mantiveram-se muito firmes. Já o FC Porto começou por pedir 85 milhões de euros e baixou o preço na negociação. O Benfica foi firme e não cedeu», disse o analista russo, em entrevista ao jornal Sport-Express.


Refira-se que Tkachenko também é membro da empresa de agenciamento de jogadores, Prosport, e conhece de perto o mercado português. Foi ele, por exemplo, um dos responsáveis pela contratação de Andrey Karyaka pelo Benfica, no início da época 2005/06. Recentemente, foi ele quem tratou da transferência de Samuel Eto’o para o Anzhi.

Testemunho
E voltaram a vir ao de cima os velhos e insistentes complexos de inferioridade dos dirigentes do FCP que teimam em não contar toda a verdade sobre a transferência de Hulk. Um amigo meu, que há muitos anos trabalha nesta área e que conhece em pormenor como tudo isto funciona, deixou-me um alerta sobre as trapalhadas do comunicado oficial da SAD do FCP e garante que a omissão de valores como os 9 milhões de euros ao Fundo de Investimento, os 6 milhões de comissões e os 2 milhões de dívidas ao jogador deveriam ser mencionados para esclarecimentos dos accionistas e do público em geral. Isto para não falar no Fundo de Solidariedade, 5% do valor da transferência (2M€) que tem de ser distribuídos pelos clubes formadores onde Hulk jogou entre os 12 e os 23 anos. O Vilanovense, por exemplo, deverá receber cerca de 200 mil euros.

Depois da criação do TMS (Transfer Match System), em vigor desde  Outubro de 2010, nele devem ser incluídos todos os dados referentes às operações - valor de transferência, valor das comissões, agentes envolvidos, formas de pagamento, contas bancárias, etc. Por isso dificilmente o FCP deixará de ter de pagar os remanescentes 15% que faltam para acertar todas as contas desta polémica transferência. Não adianta andar a fingir.
E tudo isto só para aparecerem como um clube que sabe negociar melhor que os rivais. E, neste caso mais especial ainda, melhor que o Benfica!

sábado, 24 de novembro de 2012

COMUNICADO COMUNICADO COMUNICADO

Pulpus Corruptus, composto por Benfiquistas não residentes em Portugal e espalhados por 7 diferentes países, aproveitando a quadra festiva que se aproxima e a disponibilidade de umas mini-férias, resolveu juntar o útil ao agradável, após mais de um ano de serviços prestados, reunirmo-nos no que será a nossa primeira "cimeira", afim de podermos proceder a um balanço da actividade/produtividade, confraternizar, conhecermo-nos (alguns) entre nós e, ao mesmo tempo, traçar o rumo futuro da nossa tarefa que, como devem calcular, dada as distâncias, não é de todo fácil.

Temos recebido alguns e-mails de leitores assíduos do nosso espaço que se declaram curiosos acerca do nosso trabalho e como o conseguimos estando o grupo ramificado em países e continentes diferentes. (ver o nosso perfil)

Para que estes amigos possam ter percepção das dificuldades do nosso trabalho, que funciona dentro da disponibilidade de cada um de nós, muito sucintamente, aqui vai a revelação do nosso esquema:

1. Cada elemento, dentro do seu próprio método de trabalho e disponibilidade, pesquisa, rastreia, colhe informações, notícias, etc. e envia para o nosso banco de dados.

2. Depois de recolhido e agrupado o diverso material, por assunto,  procede-se, sempre que possível, a uma video-conferência online ou via telefone, para discussão e ultimação do texto e assunto a publicar.

3. O elemento escalado e encarregado da respectiva edição, digita e publica o texto escolhido e aprovado.

Em virtude desta nossa primeira "cimeira", que terá lugar em Miami em 15 e 16 de Dezembro, realizando-se a seguinte em outro país e cidade a designar, possivelmente e até ao fim do ano, publicaremos apenas mais uma edição de A Mafia da Palermo Portuguesa, regressando às edições normais e periódicas em Janeiro de 2013.

Deste encontro, estamos certos, resultarão novas ideias, quiçá, novas estratégias, para melhor levarmos a cabo a nossa acção em prol da verdade desportiva e combate à podridão de que enferma o desporto em geral e o futebol em particular.

Esperamos a vossa compreensão pelo interregno e inconvenientes que possam causar.


domingo, 18 de novembro de 2012

(Mentiras,Vigarices & Cª) A MÁFIA DA PALERMO PORTUGUESA (79)


Os Negócios do Porto
O famoso negócio Falcão com o Atlético de Madrid por 40 milhões e não 45 (ver a página 15 ou 53 do R&C de 2011/12), tão aplaudido pelos media nacionais foi subsequente a uma renovação que custou cerca de 6,585 M€. Além dessa renegociação, a Gestifute e a Orel BV receberam 3,705 M€ em custos de agenciamento, o Porto teve ainda que suportar os custos do mecanismo de solidariedade no valor de 2 M€, pagar a parcela correspondente ao fundo Natland no valor de  1,805 M€. A contabilização do diferimento do pagamento ascende a 1,69 M€ e o passe está registado nos balanços por 10,63 M€. Em resumo, apesar de a Porto SAD apresentar como mais-valia 20,170 M€, na verdade esta apenas ascendeu a 13,585 M€. E assim se vai atirando areia para os olhos dos adeptos e alimentando o mito do excelso negociador.

No R&C de 2009, o Porto declara ter adquirido 50% do passe de Hulk e portanto ter em balanço, a 30 de Junho de 2009, 50% do passe de Hulk. Curiosamente no R&C de 2010, indica que a 30 de Junho de 2010 já só tem 45%, mas pior que isso e sim motivo para intervenção da CMVM, que a 30 de Junho de 2009 só tinha  45%, quando um ano antes declarara ter 50%. Espantados? 
Desde que foi adquirido, Hulk teve renegociações anuais de contrato com os consequentes aumentos de salário e pagamento de custos de renegociação, também conhecidos como luvas - 1,724 M€ na época 2011/12 e 4,236 M€ em 2010/11. Daqui a um ano veremos no R&C o fantabulástico negócio de 65 M€ e perceberemos porque o Porto tem cada vez mais problemas de tesouraria.

Para quem contesta a afirmação dos problemas de tesouraria, aconselho a ler o R&C com atenção e em especial na página 75 e perceber que o Porto teve que antecipar o recebimento das receitas de direitos de transmissão televisiva relativamente às épocas 2012/13 a 2014/15, bem como antecipar 8 Milhões de facturação relativamente aos direitos de transmissão televisiva que respeitam às épocas 2014/15 a 2017/18 para evitar que o prejuízo fosse tão elevado este ano.

Mas mais, a 30 de Junho de 2012 o Porto devia a alguns dos seus atletas as remunerações de Maio, Junho e o Subsídio de Férias além de dever Prémios a Atletas isto tudo num montante de 6,4 M€, entretanto regularizado, demonstrando um acréscimo de dificuldades, pois a 30 de Junho de 2011 apenas estava em dívida o mês de Junho.

Antecipação de receitas de TV. Tirado do R&C
"Em 30 de Junho de 2012 e 2011, as transacções com a entidade PPTV/Olivedesportos relevadas na rubrica “Vendas e prestações de serviços” são justificadas pelo contrato de cedência, em regime de exclusividade, dos direitos de comunicação audiovisual respeitantes aos jogos em que a equipa principal da FCP – Futebol, SAD dispute, na condição de visitada, para a I Liga de Futebol Profissional bem como os direitos à exploração comercial da publicidade estática e virtual referentes a tais espectáculos, assinado entre as partes. Por seu turno, o saldo registado na rubrica “Outros passivos correntes e não correntes” em 30 de Junho de 2012 corresponde, essencialmente, ao adiantamento recebido pela Sociedade da 
referida entidade relativamente aos direitos acima  referidos aplicáveis à época 2012/13 e 2013/14, assim como a facturação antecipada à mesma entidade relativa a direitos de  transmissões televisivas para as épocas 2014/15 a 2017/18. (Nota 21)."

As Contas do FCP
Refira-se que o F.C. Porto contratualizou um total de 18 M€ de pagamento a empresários, divididos entre 11,09 M€ de comissões relativas a contratações e renegociações de contratos e 6,84 M€ com comissões relativas à vendas de atletas.
Antes de mais, Cristián Rodriguez. Numa altura em que já estava afastado do plantel, e naquela que terá sido a última parcela de uma aquisição dividida em várias tranches, o F.C. Porto teve de pagar no período terminado a 30 de Junho de 2012 ainda 2,52 M€ à Play International BV.3M€.
Mas há mais: a renovação e posterior venda de Falcao ao At. Madrid, por exemplo, custou mais de 6,8 M€ em comissões a empresários, divididos entre três agências. O colombiano, já se sabia, foi vendido por 40 M€, dos quais apenas 20,1 M€ entraram nos cofres portistas.

Para além de Falcão, destacam-se na rubrica referente a pagamentos de comissões a empresários os gastos com as contratações de Danilo (4,83 M€), Defour (1,85M€), Mangala (1,02M€), Alex Sandro (0,700 M€), Kléber (0,665 M€) e Marc Janko (0,271 M€). Total só aqui = 9,3 M€.

Por falar em contratações, importa dizer que o F.C. Porto contratualizou na última época aquisições que perfazem um total de 56,7 M€, sendo que este valor é total: inclui a soma do valor de aquisição do passe, o prémio de assinatura e o pagamento de comissões a empresários.
Danilo, já se sabia, foi o mais caro: 17,8 M€ no total por 100% do passe. Segue-se Alex Sandro (10,3 M€ por 100% do passe), Defour (7,8 M€ por 90%), Mangala (7,5 M€ por 90%) e Kléber (4,2 M€ por 70% do passe).

Nas vendas temos que João Moutinho rendeu na última época uma perda de 1,52 M€: o clube vendeu 37,5 por cento do passe a um fundo de investimento por 4,12 M€, tendo adquirido depois 22,5 por cento por um montante que percentualmente representou uma perda de 1,52 M€.
O mesmo se passou, de resto, com Fucile. O F.C. Porto vendeu 25% do passe ao Soccer Invest Fund, detido pela empresa MNF Gestão de Activos, por 500 mil euros, tendo posteriormente comprado 20% da parcela do passe anteriormente vendida por 1M€.

O título nacional garantido pelo F.C. Porto na última época rendeu, como sempre acontece, um prémio individual a cada elemento do plantel (entre jogadores, equipa médica e técnica). Ora de acordo com o relatório e contas, o F.C. Porto irá pagar 8,78 M€ no total. Refira-se, de resto, que o título do ano anterior ficou mais barato: 7,29 M€.

Outro dado interessante do relatório e contas é relativo ao valor do plantel. Em 30 de Junho de 2012, o grupo de 41 jogadoresque fazem parte do plantel portista estava avaliado em 99,2 M€, mais 1,5 milhões de euros do que valia o grupo de 36 jogadores da época anterior.
Os valores referidos não se referem ao valor total do jogador, mas ao valor da percentagem de passe que o F.C. Porto detém de cada atleta. Ora a 30 de Junho de 2012, o F.C. Porto só detinha, por exemplo, 55 por cento do passe de James Rodriguez. Segue-se uma lista dessas percentagens:

Danilo               - 100 %
Alex Sandro        - 100 %
Otamendi           - 100 %
Maicon               - 100 %
Rolando              - 85 %
Moutinho            - 85 %
Fernando            - 80 %
Kelvin                - 75 %
Kléber                - 70 %
Souza                - 70 %
Defour               - 56,7 %
Mangala             - 56,7 %
James Rodriguez - 55 %
Iturbe                - 45 %

Pinto da Costa foi o mais bem pago da administração azul e branco, tendo recebido 400 mil euros. Os outros três administradores pagos (Adelino Caldeira, Reinaldo Teles e Angelino Ferreira) receberam 60 por cento desse valor: 240 mil euros.
Resultados 2011/12 dos andrades
Passivo dos dragões aumentou 10,55% para 223 M€. SAD ainda não contabilizou vendas de Álvaro Pereira e Hulk, mas apresenta resultados líquidos negativos cinco anos depois.
A SAD do FC Porto apresentou, esta quinta-feira, em comunicado dirigido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os resultados consolidados da época 2011/12, onde se registam resultados líquidos negativos de 35,7 M€, após cinco anos consecutivos de resultados positivos.
Os dragões justificam os resultados negativos - face à época 2010/11 - com o facto de as transações de passes de jogadores terem sido negativos pela primeira vez desde 2005/06. Ainda assim, a SAD portista ainda não contabilizou os quase 50 M€ que obteve, para já, com as vendas de Álvaro Pereira e Hulk a Inter Milão e Zenit. 
O EBITDA (lucros ainda sem descontos, juros ou amortizações) do FC Porto mantém-se positivo e ascende a 12,2 M€, verba que permite capacidade de autofinanciamento à SAD. Os proveitos operacionais, sem contabilizar a transação de passes de jogadores,baixaram de 89,8 M€ para 72,2 M€
O capital próprio, por sua vez, apresenta 10,15 M€ negativos, mas a SAD frisa que espera inverter o saldo no primeiro semestre da atual temporada. O passivo aumentou 10,55% para 223,385 M€. O ativo, por sua vez, caiu de 225,323 M€ para 210,727M€. 
Os custos com pessoal baixaram ligeiramente de 50,065 M€ para 49,595 M€ face à época 2010/11. As competições europeias foram, mais uma vez, responsáveis pelos maiores proveitos operacionais do clube (14,199 M€ 19,67%), excluindo as vendas de jogadores. A SAD do FC Porto realça, ainda, que se mantém dentro do valor recomendado pela UEFA (70%) na relação entre salários e proveitos operacionais, também não contabilizando, neste capítulo, as transações com passes de jogadores.

OPINIÃO de um Portista
Quando se encaixa numa época mais de 55M€ em vendas de jogadores (Falcao, Guarin, R Micael), ainda que brutos, e mesmo assim ainda se "consegue" fazer um prejuizo de 36 M€, acho que está tudo dito... temos que arrepiar caminho, e muito mais pela redução de custos do que pelo aumento de receitas.

(E esqueceu-se acrescentar aos prejuizos os 10M€ do Clube assim como as receitas antecipadas da TV e do prémio da Champions (8,5M€) 2012/13).

Totalmente inédito no FCP. O nosso recorde negativo anterior foi de 30 M€ em 05/06, com a enorme diferença de que nessa época se encaixou apenas 7 M€ em vendas (Diego).

2) Já sei que o Angelino se vai desculpar com o "contexto de crise em Portugal", mas assinalo que  o valor combinado das receitas de rubricas em que isso se devia ter visto (bilheteira, TV, merchandising, corporate hospitality e patrocinios) foi idêntico à epoca anterior (aliás, subiu ligeiramente): não ficamos a perder absolutamente por esse lado, caro Angelino.

Impacto da crise no estrangeiro é que não houve de certeza, já que, 1) se não batemos o recorde de encaixe em vendas de jogadores, ficamos muito perto e 2) os premios da Liga dos Campeões por acaso até tem aumentado.

A única rubrica em que a crise serve de desculpa é nos juros de emprestimos que pioraram de 5M€ para 8 M€ (mesmo assim 3 M€ é menos de 10% do prejuizo feito). Constate-se no entanto que isto só nos afectou fruto da acumulação gradual - e anterior à crise - de empréstimos enormes junto da banca e obrigacionistas. Nisto a FCP SAD parece-se muito com o Estado português...

Não, caro Angelino, a explicação destes resultados não passa por qualquer crise a que o FCP é alheio: passa acima de tudo porgastarmos cada vez mais na compra de passes de jogadores. Isso reflecte-se na amortização anual dos passes (aumentou 8 M€) tal como em menores mais-valias na venda dos jogadores do que no passado (o Falcão por exemplo "rendeu" liquido apenas 20 dos 40 M€ de preço de venda; fruto do custo do passe, mas também de comissões). 

Só depois mais abaixo é que vem a má campanha na LC (impacto de 5 M€), aumento de Fornecimentos e Servicos Externos (subida de 4 M€) e finalmente uma rubrica com impacto da crise, os juros (os tais 3 M€).

Temos forçosamente que cortar nas despesas. Repare-se por exemplo que gastamos 4x mais do que um Braga em salários de jogadores, treinadores e dirigentes; e 13x mais do que um Braga na amortização da compra de passes de jogadores. Sim, os nossos sao melhores, mas nao de forma tao abissal como esses numeros deveriam fazer crer, nem pouco mais ou menos.

3) O saldo entre o "deve & haver" de tesouraria nos proximos 12 meses (a 1 de Julho), ou seja, a diferenca entre o activo de curto prazo e passivo de curto prazo, era negativo em 114 milhoes de euros.

Entretanto é de esperar um abatimento a esse saldo com a venda de Hulk e A. Pereira; mas presumindo que em 12/13 vamos ver metade do valor dessas vendas (o que já seria bom e maior % a curto prazo do que é normal), isso abate apenas uns 25 M€ ao "buraco" de 114 M€. O novo emprestimo obrigacionista que se prepara (25M€) vai tambem tapar apenas uma relativamente pequena parte desse buraco; vamos a ver como é que tencionam tapar o resto, quando a vontade da banca de fazer um enorme "rollover" do que lhes devemos não deve ser lá muita (e a fazê-lo, será certamente aumentando ainda mais o muito que já pagamos em juros)

O Porto e a compra de jogadores  
O FC Porto pagou salários a Varela, quando o jogador não pertencia aos quadros do clube nem tinha qualquer contrato:Celsinho (ex-Sporting) denuncia, sem querer, uma manobra batoteira dos dragões...

Mês de Março de 2009. A época está prestes a terminar e o Jornal de Notícias avança com a novidade: “Varela assina pelo FC Porto”. O mesmo diário conta os contornos do negócio: “Silvestre Varela assinou, esta segunda-feira, pelo FC Porto. O avançado, de 24 anos, que tem contrato com o Estrela da Amadora até ao final da presente temporada, assumiu com os dragões um vínculo válido a partir de 1 de Julho [de 2009] e que termina em 2013”.

Vamos às datas. Varela assina em Março um contrato com o FC Porto, válido a partir de 1 de Julho de 2009. Mas... parece que o FC Porto já pagava salários a Varela ainda antes do avançado assinar pelos dragões.  Pinto da Costa já pagava por um jogador que ainda não pertencia aos quadros dos dragões?...
Pois é... Lendo uma entrevista de Celsinho – jogador do Sporting que foi colega de equipa de Varela, no Estrela da Amadora – chegamos ao centro desta história. Eis o que disse Celsinho, no dia 28 de Janeiro de 2011.

«Pergunta: A imprensa portuguesa, na época, disse que você era muito jovem e que a diretoria fez uma aposta para o futuro... Mas depois você foi para o Estrela da Amadora...
Resposta: Isso. Joguei um pouco mais, mas o clube enfrentava muitos problemas financeiros. Só três jogadores recebiam regularmente: eu, Nuno (Coelho) e Varela. Eu, do Sporting, e os dois, do Porto na altura (...)»

Então não é que Varela, que só viria a assinar no final da época, já recebia do FC Porto? O clube da Invicta, de forma encapotada, pagava salários a um jogador que foi seu adversário por diversas vezes...
Varela defrontou os seus 'patrões' em quatro partidas: duas da Taça e duas do campeonato. Jogou sempre os 90 minutos. E o Estrela perdeu sempre que foi 'preciso'.
Mas onde está esta entrevista? Celsinho denunciou mesmo os dragões, sem querer? Cá está ela, num site brasileiro, bem conhecido: Lancenet. Fomos à origem, para reforçarmos a credibilidade deste artigo.
Pois é... Varela jogava no Estrela, jogava contra o FC Porto, mas recebia do FC Porto. O clube das Antas aproveitou-se do facto de o emblema da Amadora atravessar uma grave crise para fazer batota... E o que fazer perante estas denúncias?

Dando a palavra a um portista.
O que são os FSE?


É só consultar a pagina 89 do R&C consolidado, que está lá explicado onde foram gastos 35M€ (bem, até certo ponto...).
Os FSE incluem algumas comissões (mas que alegadamente não tem nada a ver com operações com passes), honorários (presumo advogados, consultores, ...) e despesas relacionadas com "prospecção de mercado".


No entanto, o grosso dos FSE vai para: despesas de organização (viagens, eventos no estádio), manutenção do estádio e centros de treinos, outras rendas e alugeres, publicidade e propaganda (só aqui quase 5M€!), (E PUTAS, digo eu!), vigilância e segurança.
De qualquer  forma os FSE são claramente uma % exagerada das receitas do clube e estão algo descontrolados (eram de 13M€ em 05/06, agora sao 36M€, perto do triplo).

Um andrupto nada estúpido
Na análise referente aos direitos de Tv dos jogos do Benfica e saida destes da alçada da Olivedesportos, penso que pelo o que sei e pelos conhecimentos profissionais que tenho em relação Investimento e o rácio custo/beneficio em relação a MARCAS (a do Benfica goste-se ou não, como é o meu caso é uma das maiores de Portugal em geral e de longe a única no futebol com retorno absoluto garantido);
pode ser uma oportunidade para eles darem um salto de gigante não só em termos estratégicos de marca como da sua maior e melhor rentabilização e em consequência a desvalorização futura do valor contratualizado pela Olivedesportos com o nosso Porto ou com os "Lagartos".
Basta ver que o FC Porto tem uma cláusula que fazia os seus beneficios estarem ligados aos auferidos pelo Benfica (80% mais concretamente) agora não há balizador para esses 80%.